A vida é uma espiral de eventos e ideias que desencadeiam vários tipos de emoções com ou sem uma tomada de consciência, a qual pode afetar nossa percepção do mundo e/ou ser o embrião da autoconsciência.
E é aí que reside o autocuidado no cerne da escuta – que a atenção voltada para esta emoção, agora identificada, fica pronta para o manejo escolhido.
Sim, somos todos emocionados e responsáveis pelas nossas escolhas a partir dessa tomada de consciência.
Talvez você se pergunte: ok, porém, como detectar a raiva sem explodi-la, ou reconhecer a tristeza sem julgá-la? Como conduzir essas e quaisquer outras emoções sem reprimi-las?
Eu poderia dizer: primeiro você as localiza dentro de si; depois você as observa; e, por fim, trabalha nelas. Mas não existe uma receita de bolo para tanto...
Fica complicado adaptar-se de um segundo para o outro dependendo do sofrimento psíquico envolvido.
Quando nos propomos a escutar as emoções, às vezes, é preciso desentupir os ouvidos da nossa percepção para escutarmos o som delas sem prejuízo ao longo do processo.
Assim, se em circunstâncias tais procuramos um otorrino quando não conseguimos ouvir música, por exemplo, podemos recorrer a uma psicóloga/um psicólogo para lidarmos com nossas angústias até desentupi-las e quem sabe ouvi-las como nunca antes.
Pois não mais sozinhos, agora acompanhados, somos capazes de filtrar o que, como, por que e para que escutamos o que escutamos e encontrar novos significados para palavras antigas, além de não nos justificarmos ao assumir a responsabilidade por nós mesmos.
Podemos escolher romper com os vínculos disfuncionais que deixaram marcas como feridas em nós por meio dos velhos ciclos...
E a partir daí, não mais sozinhos, mas imbuídos nessa evolução em busca do nosso eu real e não idealizado respirarmos aliviados para sermos quem somos de fato.
Pois, embora vulneráveis, somos potentes (e até resilientes), porque ao reconhecermos que precisamos de cuidado damos um passo rumo ao bem-estar e demonstramos coragem aliada ao amor próprio que há em nós.
Talvez esta seja a razão do meu papel de psicoterapeuta: compreender pela escuta ética, empática e técnica que é no encontro com o outro que nos conectamos com a saúde em nós, às vezes, desconhecida ou até esquecida. Desse modo, o bem-estar do paciente me inspira.
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Márcia Filha